







- Sobe?
- Desce.
- Eu queria subir.
- Então o senhor vai ter que aguardar o elevador das sete.
- Vou ter que esperar duas horas?
- De duas a três. Sempre atrasa.
- Mas já não implantaram o sistema de rodízio com andares ímpares e pares?
- Implantaram mas não resolveu. Ainda temos os horários de pico.
- Francamente. Tenho um compromisso.
- Lamento, mas o senhor vai ter que dar sua parcela de sacrifício e subir pelas escadas.
- Vinte andares?
- Trinta e cinco. Só que mais tarde. Neste período o fluxo fica invertido.
- Então acho melhor aguardar o elevador das sete.
- Como quiser. A fila é aquela ali, dobrando a esquina.


- Por favor. Quadragésimo andar.
- Só estamos autorizados a subir até o décimo quinto.
- Entenda. Pretendo me suicidar e de uma altura digna.
- O décimo quinto também é uma boa opção.
- É uma indicação confiável?
- Ninguém garante nesta vida que vai morrer. Não imediatamente.
- E o outro elevador?
- Fora de serviço. Estará funcionando em quatro horas.
- Acha que vale a pena esperar?
- No seu lugar não faria planos para o futuro.
- O senhor é um terrorista.
- Ascensorista sindicalizado.
- Saiba que posso matá-lo. Não tenho nada a perder.
- Procure manter a calma. Daqui há seis horas tudo estará resolvido.
- Seis? Você falou quatro.
- Também sou filho de Deus. Uma hora para o almoço outra uma hora para a sesta. Isso é sagrado.
- São tipos iguais a você que me incentivam. Não respeitam nem a proximidade da morte. Me deixe no
décimo quinto.
- Como quiser. Assim que acabar a greve de nossa categoria.


